"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
de que seria bom que eu os ouvisse.
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos
(Há nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem- vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos
redemoinhar aos ventos,
como farrapos, arrastar os pés sangrentos
A ir por aí!
(de José Régio)
tem piada que este cântico negro dos "Poemas de Deus e do diabo" me fizeram chumbar um exame de português, por ter passado o tempo a exrever uma carta ao José Régio que acabou por me escrever um postal (que deve estar com o Torquato) a convidar-me para o visitar. E lá fui eu e o Torquato a Portalegre visitar o professor José Régio que nos mostrou o cubículo onde escrevia e o nicho onde tinha um crucifixo com uma cortina vermelha que corria quando (dizia) estava chateado com Cristo !
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